Matéria publicada pela Folha de São Paulo em 1996

2017-07-06 (6)

Estava eu estudando e navegando sobre a Acupuntura quando acho uma matéria de 28 de agosto de 1996 da Folha de São Paulo, momento que se cria o Conselho Federal de Acupuntura no Senado, e a Medicina que sempre vinha criticando a Acupuntura e chamando os médicos que atuavam com Acupuntura de charlatões, começa a sua briga ferrenha para ir na contra-mão do mundo, pedindo sua exclusividade, uma forma tendenciosa de destruir a Acupuntura no Brasil.

Segue a cópia da Matéria da Folha.

Folha
Foto da página da Folha de São Paulo, retirada no dia 26/07/2019 às 02h40 no link https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/8/28/cotidiano/16.html

Acupuntura no Brasil e no mundo

PAULO NOLETO; GILSON DEVITA

PAULO NOLETO E GILSON DEVITA
A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece a acupuntura como sistema eficaz no tratamento de numerosas enfermidades e recomenda sua implantação nos serviços de saúde pública.
A formação do acupunturista, na maioria dos países onde a acupuntura é regulamentada, estrutura-se em graduação em nível de 3º grau (universitária), desvinculada da formação da medicina alopática. Isso porque a acupuntura é um sistema terapêutico que faz parte da medicina tradicional oriental (com mais de 5.000 anos de prática, atualizada), com princípios, metodologia e terapêutica diferentes dos da medicina ocidental alopática (com menos de três séculos de existência).
Está em tramitação no Senado um projeto de lei (PLC-67/95) que regulamenta o exercício profissional da acupuntura, cria a profissão de acupunturista com formação em nível de 3º grau, além das especializações em acupuntura para os profissionais da área de saúde restrita a suas respectivas atribuições e cria o órgão fiscalizador, o Conselho Federal de Acupuntura.
O projeto, atualmente na forma do substitutivo do senador Walmir Campelo, foi amplamente discutido com os setores da área de saúde, sendo apoiado por todos os conselhos profissionais da área, com exceção do CFM (Conselho Federal de Medicina).
O CFM tem longo passado de negação dos méritos da acupuntura e vem posar de defensor da acupuntura para uso exclusivo dos médicos. Ora, os médicos, excetuando os que trabalham com a acupuntura, por nunca terem estudado o assunto em suas formações, o desconhecem. Em vez de tentar impedir a aprovação de projeto de lei de alto nível, que soluciona o exercício da acupuntura no Brasil, acolhendo todas as partes envolvidas, o CFM, num surto egóico e avarento de corporativismo, quer que a acupuntura seja o que nunca foi: prática exclusiva de médicos.
A acupuntura não pertence à medicina ocidental alopática, nem historicamente nem cientificamente! Não podemos caminhar na contramão da história, pois em todo o mundo o acupunturista possui formação desvinculada da alopatia. Na maioria dos países que regulamentaram a acupuntura, ela é ensinada como profissão distinta. Só nos EUA existem mais de 50 faculdades de acupuntura.
Saúde é assunto muito importante para ser decidido só por uma categoria profissional. O Senado, até agora, cumpre responsavelmente o papel de legislar corretamente sobre o assunto.

Paulo Cesar Barbosa Noleto, 35, acupunturista, é presidente do Sindaq-MG (Sindicato dos Profissionais de Acupuntura e Quiropraxia do Estado de Minas Gerais).

Gilson Devita Costa, 41, acupunturista, é diretor administrativo do Sindaq-MG.

Acupuntura é usada como anestesia em cirurgias no Brasil

Em 2009 o Jornal Folha de São Paulo Saúde publicou uma nota sobre o uso da Acupuntura como Anestesia na Cirurgias no Brasil, passando por opiniões de diversos médicos que são a favor e contra.acupuntura-pontos-marcus-yu-bin-pai

 


São Paulo, quarta-feira, 21 de outubro de 2009
ACUPUNTURA É USADA COMO ANESTESIA EM CIRURGIAS NO BRASIL

Procedimento foi difundido na década de 70, mas ainda há poucos estudos internacionais comprovando sua eficácia.
Agulhas são posicionadas em locais específicos e são eletroestimuladas; cérebro recebe a mensagem e libera os analgésicos naturais.

FERNANDA BASSETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Médicos brasileiros estão adotando a acupuntura para substituir a anestesia em algumas cirurgias, como as de hérnia inguinal (caroço perto da virilha), nódulos na tireoide e partos cesarianos e normais.

Ao contrário da anestesia tradicional (em que o paciente chega a perder temporariamente todos os sentidos), a analgesia com acupuntura tira a dor, mas mantém os outros sentidos ativos (como movimentos, pressão e calor). A técnica é usada desde a década de 70, quando foram publicados os primeiros estudos chineses. Desde então, nenhum grande centro teve resultados publicados em revistas científicas internacionais.

A primeira cirurgia do gênero foi feita no país em 1978, no Hospital de Clínicas Pedro 2º (ligado à Universidade Federal de Pernambuco), pelo acupunturista Gustavo Sá Carneiro. Carneiro reúne mais de cem casos, ele diz que teve de recorrer à analgesia tradicional em dois deles. Os primeiros resultados foram publicados na revista “Senecta”, em 1982. “Faço cirurgias com acupuntura até hoje, mas ainda enfrento resistência porque a técnica é desconhecida”, diz Carneiro.

Médicos do Hospital de Base de São José do Rio Preto também estão adotando a técnica desde 2002 e reúnem mais de 30 casos. Os resultados ainda não foram publicados. “A técnica não substitui nenhuma outra, mas é mais uma opção”, diz a anestesista e acupunturista Ana Patrícia Moreira Lima.

Antes da cirurgia, o paciente é preparado para se acostumar ao ambiente cirúrgico e costuma passar por sessões de acupuntura em ambulatório.

A cirurgia é um pouco mais demorada do que a convencional, as agulhas levam cerca de 30 minutos para começar a fazer efeito anestésico, mas a recuperação é mais rápida, com menos uso de drogas.

Durante o procedimento, as agulhas são colocadas em áreas como punhos, mãos, tornozelos e perto de onde será feita a incisão. Em seguida, são conectadas a um eletroestimulador. “Essa estimulação manda uma mensagem ao cérebro, que passa a produzir os opioides endógenos [analgésicos naturais]. Assim, o paciente não sente mais dor”, afirma Lima.

O acupunturista Hong Jin Pai, presidente do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo e médico do Centro de Acupuntura do Hospital das Clínicas de São Paulo, diz que não utiliza o método porque ele não é totalmente eficaz. Ele afirma que, em cirurgias de cabeça e pescoço, a taxa de sucesso é de cerca de 75%, e nas abdominais, de 50%. Os outros pacientes recebem anestesia porque não suportam a dor.

Para o cardiologista e acupunturista Evaldo Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura, a técnica é vantajosa mesmo nos casos em que é necessário aplicar anestesia, pois o paciente receberá menos drogas por estar parcialmente anestesiado.

“O fato de diminuir a quantidade de anestésico é um ponto positivo. Mas a técnica enfrenta resistência dos próprios acupunturistas”, afirma.

Jin Pai também diz que o tempo de preparo do paciente limita o uso da técnica e que a acupuntura como anestesia só deveria ser recomendada para pacientes alérgicos. “Seria a última alternativa”, afirma.

O anestesista Carlos Eduardo Lopes Nunes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, diz que a entidade não contraindica a acupuntura como anestesia cirúrgica, mas também não a ensina como método regular.

Segundo Nunes, a sociedade reconhece a aplicação da acupuntura como tratamento da dor crônica. Para o uso em cirurgias, entretanto, ele faz uma ressalva: diz que o procedimento deve ser feito exclusivamente por médicos anestesistas acupunturistas.
“Se o profissional tiver formação clássica e dominar a acupuntura, tudo bem, pois ele poderá mudar a técnica anestésica se for necessário.”


E hoje, 10 anos depois, o que você acha que a classe pensa sobre o assunto?

Regulamentação da Acupuntura em Portugal

Olá acupunturistas, estudantes e curiosos da Medicina Chinesa, estava lendo recentemente sobre Portugal, e como sempre, buscando informações sobre a Acupuntura no país, achei essa entrevista realizada pela Federação Brasileira das Sociedades de Acupuntura e Práticas Integrativas em Saúde em seu site, realizada em 2016, vou deixar o link no final da matéria. O interesse é buscarmos o máximo de informação disponível, achei a entrevista interessante e a forma de regulamentação, que o Rui demonstra ocorrer em seu país, também muito promissora.

O texto foi copiado na integra com uma única alteração que foi o link de seu perfil no Linkedin.

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O MNRA continua sua peregrinação em busca dos modelos de regulamentação que existem pelo mundo. Esta semana, trazemos uma entrevista de muito conteúdo cedida cordialmente via e-mail pelo acupunturista português Rui Pedro Loureiro. Rui é responsável pelo departamento de Medicina Chinesa do Hospital de St. Louis, em Lisboa e traz informações muito importantes capazes de dar vários nortes para a nossa luta, além de expor uma realidade de dificuldades bem próximas às nossas: o lobby médico contrário à regulamentação, o lobby da indústria, a falta de preparo de verdade dos profissionais médicos que querem dominar as MTCs etc.
Ficou curioso? Então, boa leitura!

​​Rui: O processo histórico da regulamentação em Portugal é à semelhança de outros países uma luta de décadas. Em Portugal, os primeiros movimentos para se tentar dialogar com os órgãos políticos (legisladores) já começou na década de 90, aliás, no final da década estávamos bem encaminhados para um projeto de lei que nunca saiu do papel, quando em oposição para nos travar foi lançada a primeira versão de uma lei chamada Acto Médico, lei essa que morreu aos pés do Presidente Jorge Sampaio com um veto presidencial.

Em 2003, Portugal encontrava-se entre os 10 países da União Europeia que possuíam já legislação de enquadramento das Medicinas Complementares e Alternativas. Foi aprovada a 22 de agosto de 2003 a Lei n.o 45/2003, que estabelecia o enquadramento da atividade e do exercício dos profissionais que se aplicam as terapêuticas não convencionais‖ (TNC), assim entendidas a acupuntura, a homeopatia, a osteopatia, a naturopatia, a fitoterapia e a quiropraxia.

No entanto, o processo de regulamentação necessário à sua concretização não foi concluído,   tendo estacionado após o período da consulta pública às propostas de regulamentação. Em 2003, foi estabelecido um prazo de 180 dias para a conclusão do processo com os devidos processos de legalização de cursos e posterior interligação entre Ministérios da Saúde e de Educação, mas esses 180 dias (cerca de 6 meses) acabaram por se transformar em 10 Anos e a lei foi esquecida, e o vazio legal perdurou ate aos nossos dias.

A lei 45/2003 também conhecida como Lei de Enquadramento base das Terapêuticas não convencionais veio abrir uma porta que muitos ainda hoje desejam que esteja fechada. Os grandes lobbies econômicos nesta matéria da saúde, muita pressão fizeram para que esta lei não visse o sol. E em parte conseguiram deixá-la numa gaveta perdida. Não havia vontade política suficiente para fazer frente a esses interesses econômicos.

Em 2013 dá-se uma reviravolta, depois de muitas reuniões, e debates com vários grupos parlamentares, e ao vermos finalmente alguma vontade política do governo em exercício, lá conseguimos levar a aprovação a lei 71/2013 que está em vigor. Embora ainda não esteja totalmente completa, estando a faltar a legislação para Medicina Chinesa e Homeopatia.

Pergunta: A regulamentação se deu em que formato? Norma, lei, autorregulamentação?

Rui: Com o passar dos anos, a lei 45/2003 perdeu-se nas gavetas da burocracia e nos corredores do esquecimento perdendo a razão de existir pois nunca tinha sido concluído o seu processo de regulamentação.

Em 2013 nasce a lei 71/2013 com o objectivo de regulamentar o acesso às profissões no âmbito das terapêuticas não convencionais, nomeadamente nas seguintes areas: Acupuntura, Fitoterapia, Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa, Naturopatia, Osteopata e Quiropráxia. Com esta lei, foi criado um conselho consultivo que com representantes das várias áreas profissionais, bem como representantes dos Ministérios da Saúde e Educação, representantes das ordens do médicos e farmacêuticos. Este conselho tem a missão de, em conjunto, produzir os modelos de legislação que posteriormente são levados à Assembleia para aprovação. Todo o trabalho produzido por este conselho tem praticamente aprovação garantida.

Uma das primeiras novidades desta lei foi o facto de incluir a regulamentação da Medicina Tradicional Chinesa, que ainda hoje consideramos que é um passo importante.

Chegados a esta fase estamos no mesmo ponto de estivemos em 2003, mais 180 dias para regulamentar o ciclo de estudos que daria a origem aos cursos superiores reconhecido pelo Ministério da Educação.

Foram elaborados todos os projectos lei para todos os ciclos de estudo das 6 áreas referidas anteriormente, ciclos esses aprovados em concelho consultivo e remetidos para o secretário da educação que assinou todos menos, “Medicina Tradicional Chinesa” e “Homeopatia”.

Houve e ainda há lobbies de interesse e influência sobre o Governo relativamente a estas duas áreas. Tanto Ordem dos Médicos como Indústria Farmacêutica não têm interesse nenhum na regulamentação destas duas áreas.

Lei n.o 71/2013 de 2 de setembro Regulamenta a Lei n.o 45/2003, de 22 de agosto, relativamente ao exercício profissional das atividades de aplicação de terapêuticas não convencionais

Pergunta: Como se dá o controle e a formação de quem pode e não pode atuar como acupunturista? A ênfase da prática é multidisciplinar? Como fica o caso dos acupunturistas tradicionais?

Rui: O controle da formação está previsto na portaria que determina o ciclo de estudos da acupunctura, Portaria n.o 172-C/2015 de 5 de junho, que estabelece o que é suposto um curso de acupunctura conter e o que é suposto um acupuntor saber/aprender.

Nessa mesma portaria está definido o tempo de prática mínima necessária que, mediante o que é apresentado na portaria, acredito que a prática seja multidisplinar usando os vários ramos de abordagem terapêutica da medicina chinesa (acupunctura, (digitopunctura, massagem terapeutica) – Tuiná, moxabutão, eletroacupunctura, laserpunctura, etc..).

Os acupunctures que já exerciam antes da lei 71/2013, tiveram um período para solicitar ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) uma carteira profissional mediante comprovação e avaliação do currículo do candidato. Baseado num sistema de critérios e pontuação, seria ou não atribuída a carteira profissional provisória ou definitiva. Sendo que no caso da provisória o candidato terá um período de tempo para efetuar a formação necessária requerida pela ACSS para passar para carteira definitiva.

É de salientar que a carteira profissional é uma vitória importante para todos os acupunctures em Portugal, pois será através dela que poderemos separar um pouco o “trigo do joio”, os profissional com habilitações válidas e comprovadas e os pseudo-terapeutas com formações duvidosas em escolas de quinta categoria. Infelizmente, há bastantes escolas dessas em Portugal e, por consequentemente, bastante pseudo-terapeutas.

Passado este período de adaptação e dos novos cursos de acupuntura nas universidades concluírem as primeiras licenciaturas (ou seja, nunca antes de 2020, 2021), só quem tiver carteira profissional será autorizado a trabalhar em acupuntura em Portugal.

Pergunta: Quantos profissionais acupunturistas existem em Portugal? A maioria tem formação específica em acupuntura ou mais através de especialização? Como eles estão inseridos no sistema público de saúde português?

Rui: O número certo acho que só a ACSS saberá mediante os pedidos de cédula profissional que recebeu. Estima-se que sejam cerca de 3.000 os profissionais que requereram a cédula profissional  de Acupuntura.

A maioria dos profissionais de acupuntura vem dos cursos de Medicina Chinesa dados em Portugal, alguns desses cursos, homologados e validados por universidades da China. Tem principalmente formação em Acupunctura, mas também um pouco em Fitoterapia, Tuiná e outras técnicas/ramos da Medicina Chinesa.

Os especialistas em Acupuntura em Portugal não têm lugar ainda no sistema de saúde Portugueses. Existe contudo alguns médicos convencionais que tiraram durante um ano uma especialização em “Acupuntura Médica”, mas infelizmente para os pacientes que tem o azar de fazerem acupuntura médica, os resultados ficam muito aquém do que seria no mínimo expectável. São formações de médicos que percebem pouco de acupuntura para médicos que não percebem nada, logo o resultado não pode ser muito relevante. Não são treinados em diagnóstico diferencial nem em síndromes energéticos pois como muitos dizem, só treinam o que é baseado em evidencia. E espetam agulhas em pontos ashi para a dor.

Muitos desses médicos são anestesistas e fazem principalmente para a patologia dolorosa, infelizmente os resultados estão abaixo dos mínimos necessários e por isso tem pouco adesão no serviço público.

No sector privado, onde os resultados são mais importantes (visto que resultados, significam lucros) que os lobbies de influência, os especialistas de medicina chinesa são escolhidos/convidados pelo currículo, experiência e competência que têm. Espero que esta realidade chegue em breve ao sector publico, pois acredito que o futuro para o sucesso da melhoria da saúde em qualquer pais, será pela ligação da chamada “Medicina Integrativa”, unindo o melhor dos vários mundos e visões médicas em prol do mesmo paciente.

Para mais informações sobre Rui Pedro Loureiro, acesse seu perfil no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/curapura

 

Fonte: www.febrasabrasil.com.br

Ressonância Terapêutica Acupuntural, já ouviu falar?

A evolução das pesquisas na área de acupuntura crescem pouco a pouco e a busca pela explicação dos efeitos terapêuticos intrigam os cientistas, que usam todas as formas de recursos disponíveis para chegar a uma conclusão “lógica” do porque de tantas pessoas serem tratadas e curadas por essa terapia, essa técnica que é usada da mesma forma durante tantos milênios.
Nesse artigo apresentado em 2015 no Congress of Traditional Medicine em  Birmingham, os pesquisadores usaram a Física Clássica, as teorias da Física Quântica e sua teoria quântica dos campos para tentar explicar e chegar a um consenso sobre o Qi e seus efeitos quanto ao uso da técnica de agulhamento na acupuntura.

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Material usado:

Antecedentes científicos da Ressonância Terapêutica Acupuntural

“…Sob este novo conceito, as notas musicais agiriam de forma a causar interação entre a percepção do paciente e seu próprio sistema nervoso.
Durante o Congresso de Medicina Tradicional – 2015, referi-me à relação entre os referidos Movimentos e ao estudo da cinética – graças ao sentido de impermanência proposto para cada um dos Elementos da Filosofia Taoísta.
Assim, foi explicado claramente como a Teoria Cinética dos Gases e as Teorias dos Estados e a Conservação da Matéria têm uma grande semelhança com os Ciclos Generativos e Inibitórios envolvidos na interação dinâmica dos Cinco Elementos da Medicina Chinesa.
Também foi apresentado como podemos aplicar o conceito de Tensegridade a padrões biológicos, nos quais a função de interconexão do tecido conjuntivo se expressa em propriedades científicas derivadas da cinética, como Transdução Mecânica, Indeterminação Cinemática Celular e Integração Dinâmica Tensional…”

Os métodos usados foram:

  1. Análise das Propriedades do Tratamento Acupuntivo Tradicional e / ou através dos Sistemas Fractos Associados

    “…Existem numerosos estudos sobre a integração da acupuntura ou Auriculotheraphy na doença de Parkinson não só provaram ser úteis para o controle de sintomas , como cólicas musculares ou tremores, bem como para estados de ansiedade e depressão. Esta modalidade terapêutica foi devidamente adotada como complemento do tratamento farmacológico e proposta para sintomas neurodegenerativos devido ao efeito neuroprotetor entre outras coisas devido à inibição da inflamação microglial.

    Há algum tempo, o Dr. Ullrich Werth descreveu o método da agulha permanente em 2001, que é amplamente aplicado hoje (mais de 3000 casos) em sua clínica de Valência. A auriculoterapia permanente é baseada no uso de micro implantes de titânio na cartilagem da orelha, regulando assim a produção de dopamina, altamente afetada em pessoas com doença de Parkinson. O Dr. Werth fala sobre 95% de sucesso em pessoas tratadas com este método…” 
  2. Análise das Propriedades de um Mediador Instrumental

    “…Vygotsky acreditava que o homem age sobre a realidade adaptando-se a ele, transformando-se através de seus “mediadores”, conceitualizados como “ferramentas” (recursos materiais) ou “sinais” (linguagem e música), que estabelecem interações culturalmente determinadas e contextualizadas em um ambiente socialmente cooperativo…”

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  3. Análise das propriedades cinéticas dos fenômenos de comunicação celular presentes durante a Ressonância Acupuntural Terapêutica

    “…Por estudos publicados pelo Dr. Antonio Gómez Yepes em Coatepec, México, considera-se que a etiologia de certas doenças começa em várias anomalias celulares: algumas devido a mecanismos complexos que formam fenômenos citológicos “em cascata” .

    Em seu estudo, Gómez Yepes faz referência a alguma pesquisa intitulada: “Pesquisar Modos Quantum e Clássicos de Processamento de Informação em microtúbulos: Implicações para” O Estado Vivo “, onde ele demonstra de forma convincente que o desempenho da Transdução de Mecânica Celular através do citoplasma os microtúbulos ligados ao citoesqueleto permitem registrar vibrações amplificadas ou atenuadas que atingem o núcleo celular para influenciar a expressão de seu genoma nuclear. Os referidos conceitos são semelhantes aos expressos por mim em Birmingham em 2015…” 
  4. Análise de propriedades cinéticas, hidrodinâmicas e quânticas de Soliton

    “…Teoria de Soliton – História e Aplicações Definição de Soliton:

    Um soliton é uma “onda solitária” que mantém sua forma enquanto viaja em um meio não-linear. O fenômeno foi descrito pela primeira vez pelo engenheiro escocês John Scott Russell. Em 1834, o governo ordenou a Russell que criasse um barco a vapor para navegar pelo canal que liga Glasgow a Edimburgo.
    Ao estudar o movimento de barcos a uma velocidade variada, um fenômeno estranho ocorreu inesperadamente: um barco de repente parou, e após o momento de inércia, uma massa de água rolou para a frente com grande velocidade, assumindo a forma de uma grande elevação solitária. Russell observou todo o fenômeno ao longo de vários quilômetros, preservando sua forma original e sem enfraquecimento. Quando ele iniciou uma pesquisa experimental sistemática desse fenômeno, ele descreveu essa “propagação de ondas solitárias” como uma situação constante na esfera da hidrodinâmica: um equilíbrio entre efeitos não lineares e dispersivos, não até 1965, ele chamou de soliton.
    Na natureza, existem outros tipos de ondas como o tsunami que envolve correntes submarinas marítimas ou pororoca que envolvem rios e podem ser encontradas nos rios Orinoco e Amazonas.
    Estímulos físicos externos – como os aplicados sobre um ponto neuralgico no lugar correto – podem enviar sinais para outros ramos do sistema energético e sua estrutura dinâmica (Lei Arndt-Schulz). Em 1924, Ricker previu a “memória” do sistema nervoso periférico, determinando 90% do nervo nervoso encontrado na pele. Assim, além da origem embriológica compartilhada pelos tegumentos e a notocórdia, justificaria a ação do reflexo cutivisceral durante Acupuntura.
    Desta forma, os solitons transmitem dados através das vibrações nos sistemas biológicos, como acontece com os impulsos nervosos (neurologitos); e eles parecem estar “holograficamente” arquivados nos neurônios do sistema central nervoso depois de serem transportados até lá pelo sistema nervoso periférico. Esta teoria seria viável para explicar os efeitos e os resultados alcançados ao integrar a Ressonância Terapêutica Acupuntural à Medicina Tradicional Chinesa…”

Discursão

Noção do limite contínuo:

“…Na teoria dos campos eletromagnéticos, um campo contínuo pode ser definido como um grupo de osciladores acoplados entre si, dando uma idéia de força elástica. Macroscopicamente falando, o sistema é definido pela tensão em cada um dos seus pontos. A Tensão Integrada desses pontos representa os campos contínuos.

Podemos observar um grande número de coincidências claras entre o conhecimento oriental e ocidental: entre passado e conhecimento de vanguarda que leva nosso presente. Portanto, a comparação e explicação do fenômeno da Ressonância Terapêutica  Acupuntural através da noção de soliton parece ser adequadamente correta. A descrição de Russell durante sua observação é compatível com a nomenclatura que identifica os pontos do Velho Shu que transportam o caminho da energia (Qi) através dos principais meridianos da acupuntura. De fato, sua seqüência ilustra claramente o aumento do canal Qi durante seu percurso através dos referidos pontos: é por isso que eles são chamados de Bolhas Bem-Estar, Primavera, Stream, Rio e Pontos do Mar, causando conseqüentemente um aumento de fluxo devido à sua própria estimulação…”

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“…Em termos de Física da matéria condensada, a descrição das oscilações de átomos de um sólido como quasi-partículas chamadas “phonon”, apresenta evidências teóricas sobre a possível ação do som sobre os canais de Ressonância Terapêutica Acupuntural através da Física Quântica…”

Conclusão

“…Neste ponto, é importante destacar o que escreveu Dennis e Joyce Lawson-Wood em seu trabalho:
“Os Cinco Elementos da Acupuntura e Massagem Chinesa”:
“Nada pertence inteiramente a um Elemento, excluindo o resto. Tudo possui os Cinco Elementos “.
A incidência atual de Parkinson é realmente significativa: afeta 200 de 100.000 pessoas e 2 em cada 100 entre pessoas com mais de 65 anos.
Então, será possível que a Ressonância Terapêutica Acupuntural estabeleça – de forma sequencial – um processo neurobiológico emergente? De acordo com Francisco Varela:
“Adotar uma visão sequencial dos cinco agregados parece ser semelhante à adoção de uma visão sequencial de nossa atividade cerebral”.
De fato, a análise do paralelismo entre as proposições declaradas por Euclides para seus Cinco Poliedros regulares – como suporte formal e matemático da Teoria dos Cinco Movimentos na Medicina Chinesa – parece sugeri-lo. Além disso, o conhecimento de Pitágoras e sua criação dos meios harmônicos, aritméticos e geométricos, que, por sua vez, apoiaram a escala pentatônica chinesa e as notas correspondentes aos Cinco Elementos chineses.
A comparação da sensação de propagação pós-punção ou do fenômeno de Tchi não é suficiente para sugerir sua compatibilidade com o soliton, pois pode ocorrer durante o Transporte Neuro-sensível. O Dr. Edward Lim Chai-si se referiu a essa sensação como “… algo que está correndo” ao longo do meridiano a ser tratado. Dr. Lim Chai-si atribuiu o referido fenômeno à ativação do tipo de fibras neuro-peptidérgicas .
Talvez esse padrão alcançado pelos pacientes ao serem tratados com Ressonância Terapêutica Acupuntural pode permitir não só recuperar funções do corpo perdido, mas também recuperá-los através de uma reconfiguração energética sequenciada, capacitando sua capacidade de regeneração biológica e recuperação. Só assim poderemos entender que a Seqüência Generativa, proposta por Zou Yen há mais de dois mil anos, circunda dentro de seu ciclo, uma possível “redefinição” das funções perdidas devido ao comprometimento decorrente de processos degenerativos…”

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Comentários do Acupunturista

Interessante, não é mesmo? Pois bem, desde a entrada da Acupuntura na civilização Ocidental que o homem moderno tenta explicar em seu dialeto, seu entendimento, seu conhecimento o termo Qi (energia), e durante todo esse tempo não obteve sucesso. Com o avanço dos aparelhos médicos e o interesse de outras áreas como a Física Quântica creio que não esteja muito distante de uma explicação lógica, de uma descoberta miraculosa, quem sabe até de uma visão da energia passando pelos meridianos. Agora imagine você, eu, nós acupunturistas vendo em uma tela como em uma tomografia, só que ao invés do sangue correndo no corpo do paciente, pudéssemos ver o Qi, a energia, a essência no Rim, a energia sendo pouca ou muita em cada órgão ou cada canal.
Creio que não precisamos disso, talvez nos tornássemos materialistas, menos vinculados ao paciente, creio que iriamos fugir do que é realmente a Medicina Milenar Chinesa e nos tornássemos mais como o homem moderno e ocidental, onde preocupa-se com o que se vê muito mais do que com o que se sente.

Até a próxima…