Matéria publicada pela Folha de São Paulo em 1996

2017-07-06 (6)

Estava eu estudando e navegando sobre a Acupuntura quando acho uma matéria de 28 de agosto de 1996 da Folha de São Paulo, momento que se cria o Conselho Federal de Acupuntura no Senado, e a Medicina que sempre vinha criticando a Acupuntura e chamando os médicos que atuavam com Acupuntura de charlatões, começa a sua briga ferrenha para ir na contra-mão do mundo, pedindo sua exclusividade, uma forma tendenciosa de destruir a Acupuntura no Brasil.

Segue a cópia da Matéria da Folha.

Folha
Foto da página da Folha de São Paulo, retirada no dia 26/07/2019 às 02h40 no link https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/8/28/cotidiano/16.html

Acupuntura no Brasil e no mundo

PAULO NOLETO; GILSON DEVITA

PAULO NOLETO E GILSON DEVITA
A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece a acupuntura como sistema eficaz no tratamento de numerosas enfermidades e recomenda sua implantação nos serviços de saúde pública.
A formação do acupunturista, na maioria dos países onde a acupuntura é regulamentada, estrutura-se em graduação em nível de 3º grau (universitária), desvinculada da formação da medicina alopática. Isso porque a acupuntura é um sistema terapêutico que faz parte da medicina tradicional oriental (com mais de 5.000 anos de prática, atualizada), com princípios, metodologia e terapêutica diferentes dos da medicina ocidental alopática (com menos de três séculos de existência).
Está em tramitação no Senado um projeto de lei (PLC-67/95) que regulamenta o exercício profissional da acupuntura, cria a profissão de acupunturista com formação em nível de 3º grau, além das especializações em acupuntura para os profissionais da área de saúde restrita a suas respectivas atribuições e cria o órgão fiscalizador, o Conselho Federal de Acupuntura.
O projeto, atualmente na forma do substitutivo do senador Walmir Campelo, foi amplamente discutido com os setores da área de saúde, sendo apoiado por todos os conselhos profissionais da área, com exceção do CFM (Conselho Federal de Medicina).
O CFM tem longo passado de negação dos méritos da acupuntura e vem posar de defensor da acupuntura para uso exclusivo dos médicos. Ora, os médicos, excetuando os que trabalham com a acupuntura, por nunca terem estudado o assunto em suas formações, o desconhecem. Em vez de tentar impedir a aprovação de projeto de lei de alto nível, que soluciona o exercício da acupuntura no Brasil, acolhendo todas as partes envolvidas, o CFM, num surto egóico e avarento de corporativismo, quer que a acupuntura seja o que nunca foi: prática exclusiva de médicos.
A acupuntura não pertence à medicina ocidental alopática, nem historicamente nem cientificamente! Não podemos caminhar na contramão da história, pois em todo o mundo o acupunturista possui formação desvinculada da alopatia. Na maioria dos países que regulamentaram a acupuntura, ela é ensinada como profissão distinta. Só nos EUA existem mais de 50 faculdades de acupuntura.
Saúde é assunto muito importante para ser decidido só por uma categoria profissional. O Senado, até agora, cumpre responsavelmente o papel de legislar corretamente sobre o assunto.

Paulo Cesar Barbosa Noleto, 35, acupunturista, é presidente do Sindaq-MG (Sindicato dos Profissionais de Acupuntura e Quiropraxia do Estado de Minas Gerais).

Gilson Devita Costa, 41, acupunturista, é diretor administrativo do Sindaq-MG.

Acupuntura é usada como anestesia em cirurgias no Brasil

Em 2009 o Jornal Folha de São Paulo Saúde publicou uma nota sobre o uso da Acupuntura como Anestesia na Cirurgias no Brasil, passando por opiniões de diversos médicos que são a favor e contra.acupuntura-pontos-marcus-yu-bin-pai

 


São Paulo, quarta-feira, 21 de outubro de 2009
ACUPUNTURA É USADA COMO ANESTESIA EM CIRURGIAS NO BRASIL

Procedimento foi difundido na década de 70, mas ainda há poucos estudos internacionais comprovando sua eficácia.
Agulhas são posicionadas em locais específicos e são eletroestimuladas; cérebro recebe a mensagem e libera os analgésicos naturais.

FERNANDA BASSETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Médicos brasileiros estão adotando a acupuntura para substituir a anestesia em algumas cirurgias, como as de hérnia inguinal (caroço perto da virilha), nódulos na tireoide e partos cesarianos e normais.

Ao contrário da anestesia tradicional (em que o paciente chega a perder temporariamente todos os sentidos), a analgesia com acupuntura tira a dor, mas mantém os outros sentidos ativos (como movimentos, pressão e calor). A técnica é usada desde a década de 70, quando foram publicados os primeiros estudos chineses. Desde então, nenhum grande centro teve resultados publicados em revistas científicas internacionais.

A primeira cirurgia do gênero foi feita no país em 1978, no Hospital de Clínicas Pedro 2º (ligado à Universidade Federal de Pernambuco), pelo acupunturista Gustavo Sá Carneiro. Carneiro reúne mais de cem casos, ele diz que teve de recorrer à analgesia tradicional em dois deles. Os primeiros resultados foram publicados na revista “Senecta”, em 1982. “Faço cirurgias com acupuntura até hoje, mas ainda enfrento resistência porque a técnica é desconhecida”, diz Carneiro.

Médicos do Hospital de Base de São José do Rio Preto também estão adotando a técnica desde 2002 e reúnem mais de 30 casos. Os resultados ainda não foram publicados. “A técnica não substitui nenhuma outra, mas é mais uma opção”, diz a anestesista e acupunturista Ana Patrícia Moreira Lima.

Antes da cirurgia, o paciente é preparado para se acostumar ao ambiente cirúrgico e costuma passar por sessões de acupuntura em ambulatório.

A cirurgia é um pouco mais demorada do que a convencional, as agulhas levam cerca de 30 minutos para começar a fazer efeito anestésico, mas a recuperação é mais rápida, com menos uso de drogas.

Durante o procedimento, as agulhas são colocadas em áreas como punhos, mãos, tornozelos e perto de onde será feita a incisão. Em seguida, são conectadas a um eletroestimulador. “Essa estimulação manda uma mensagem ao cérebro, que passa a produzir os opioides endógenos [analgésicos naturais]. Assim, o paciente não sente mais dor”, afirma Lima.

O acupunturista Hong Jin Pai, presidente do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo e médico do Centro de Acupuntura do Hospital das Clínicas de São Paulo, diz que não utiliza o método porque ele não é totalmente eficaz. Ele afirma que, em cirurgias de cabeça e pescoço, a taxa de sucesso é de cerca de 75%, e nas abdominais, de 50%. Os outros pacientes recebem anestesia porque não suportam a dor.

Para o cardiologista e acupunturista Evaldo Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura, a técnica é vantajosa mesmo nos casos em que é necessário aplicar anestesia, pois o paciente receberá menos drogas por estar parcialmente anestesiado.

“O fato de diminuir a quantidade de anestésico é um ponto positivo. Mas a técnica enfrenta resistência dos próprios acupunturistas”, afirma.

Jin Pai também diz que o tempo de preparo do paciente limita o uso da técnica e que a acupuntura como anestesia só deveria ser recomendada para pacientes alérgicos. “Seria a última alternativa”, afirma.

O anestesista Carlos Eduardo Lopes Nunes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, diz que a entidade não contraindica a acupuntura como anestesia cirúrgica, mas também não a ensina como método regular.

Segundo Nunes, a sociedade reconhece a aplicação da acupuntura como tratamento da dor crônica. Para o uso em cirurgias, entretanto, ele faz uma ressalva: diz que o procedimento deve ser feito exclusivamente por médicos anestesistas acupunturistas.
“Se o profissional tiver formação clássica e dominar a acupuntura, tudo bem, pois ele poderá mudar a técnica anestésica se for necessário.”


E hoje, 10 anos depois, o que você acha que a classe pensa sobre o assunto?

Rede de modo padrão como um substrato neural da acupuntura: evidências, desafios e estratégia

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Esse artigo foi publicado em 11 de fevereiro na Frotiers in Neuroscience sob o título “Default mode network as a neural substrate of acupuncture: evidence, challenges and strategy” onde Y, Zhang et al., buscaram sobre as respostas neurofisiológicas da Acupuntura e ainda seguem em estudo, pois como disseram, ainda estão longe de descobrir os efeitos diretos de forma quantificada. O que eu achei mais interessante nesse estudo foi o fato que descreveram sobre as diferentes respostas aos diferentes estímulos das agulhas, de forma, a técnica usada, os pontos, tempo e quantidade de agulhas. Além de outra comprovação do uso de pontos como VB37, R8 e B60. Segue o estudo traduzido, boa leitura.

Legenda:
DMN – Rede de modo padrão


Default mode network as a neural substrate of acupuncture: evidence, challenges and strategy

A acupuntura é amplamente aplicada em todo o mundo. Embora os fundamentos neurobiológicos da acupuntura ainda permaneçam incertos, o acúmulo de evidências indica uma alteração significativa das atividades cerebrais em resposta à acupuntura. Em particular, as atividades das regiões do cérebro na rede de modo padrão (DMN) são moduladas pela acupuntura. DMN é crucial para manter a homeostase fisiológica e sua arquitetura funcional é interrompida em vários distúrbios. Mas como a acupuntura modula as funções cerebrais e se essa modulação constitui mecanismos centrais do tratamento com acupuntura, está longe de ser clara. Esta perspectiva integra a literatura recente sobre as interações entre a acupuntura e redes funcionais, incluindo o DMN, e propõe uma estratégia de pesquisa retro-translacional para elucidar os mecanismos cerebrais do tratamento com acupuntura.

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Mecanismos cerebrais complexos da Acupuntura

A acupuntura, um componente importante da medicina tradicional chinesa, vem sendo praticada na China há mais de 3000 anos e hoje é amplamente aplicada em todo o mundo (Zhuang et al., 2013). Estudos mostraram que, para distúrbios como a dor crônica, os efeitos da acupuntura não podem ser totalmente atribuídos ao placebo (Vickers et al., 2012, 2018). Estudos de neuroimagem revelaram mudanças significativas na atividade cerebral em resposta à acupuntura, indicando possível contribuição do cérebro para seus efeitos.

Curiosamente, as respostas cerebrais aos estímulos da acupuntura abrangem uma ampla rede de regiões, envolvendo não apenas o processamento somatossensorial, mas também o afetivo e o cognitivo. Uma metanálise das atividades cerebrais associadas à estimulação por acupuntura revela ativação na rede cortical sensório-motora, incluindo a ínsula, tálamo, córtex cingulado anterior (CAC) e córtices somatossensoriais primários e secundários, e desativação na rede neocortical límbico-paralímbica, incluindo o córtex pré-frontal medial (mPFC), caudado, amígdala, córtex cingulado posterior (PCC) e para-hipocampo (Chae et al., 2013). Esses achados indicam respostas cerebrais multidimensionais à acupuntura. No entanto, a contribuição de cada dimensão para os efeitos da acupuntura é mal definida, carente de estudos.

Complexidade adicional decorre de diferenças entre vários paradigmas de acupuntura (Huang et al., 2012). Tais variações podem derivar de (mas não restrito a) manual versus eletro-acupuntura, eletro-acupuntura de diferentes frequências e intensidades de estimulação, acupuntura em diferentes pontos, respondedores versus não-respondedores de acupuntura e acupuntura em participantes saudáveis ​​versus mórbidos (Han, 2003 ; Yi et al., 2011 ; Huang et al., 2012 ; Xie et al., 2013). Assim, respostas cerebrais comuns e específicas precisam ser esclarecidas entre essas condições para uma compreensão mais delicada e mecanicista da acupuntura.

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Rede de modo padrão como um substrato neural da Acupuntura

Rede de modo padrão (DMN) é um sistema cerebral recentemente apreciado, que mostra forte atividade em repouso, mas desativa a atenção orientada externamente (Buckner et al., 2008 ; Northoff et al., 2010). A ressonância magnética funcional em estado de repouso identificou aglomerados importantes no DMN humano, incluindo mPFC, ACC, PCC, córtex frontal orbital, córtex temporal lateral, lobo parietal inferior, córtex retrosplenial e precuneus ( Buckner et al., 2008 ). Simultaneamente à atenuação do sinal no DMN, pode-se observar uma potenciação significante do sinal na rede de saliência (Napadow et al., 2009 ; Nierhaus et al., 2015), com a ínsula anterior iniciando a troca dinâmica entre essas redes intrínsecas (Bai et al., 2009).

Podemos notar que as regiões do cérebro dentro do DMN se sobrepõem em grande parte a regiões responsivas à acupuntura (Chae et al., 2013), o que leva à hipótese de que a acupuntura exerce efeitos através de sua modulação sobre o DMN (Otti e Noll-Hussong, 2012 ; Zhao et al., 2014). Além da ativação/desativação local, a conectividade funcional dentro e através da DMN também é modulada pela acupuntura (Dhond et al., 2008; Zyloney et al., 2010; Long et al., 2016; Shi et al., 2016). Mais importante, a desativação do DMN induzida pela acupuntura é mais forte do que a acupuntura simulada ou a estimulação tátil, mas atenuada ou revertida na direção se a dor aguda ocorrer durante a prática da acupuntura (Hui et al., 2010). Além disso, aumentar a “dose” de acupuntura, aumentando o número de agulhas ou a intensidade da estimulação com agulha, pode induzir uma modulação aumentada de DMN que persistiu mesmo após o término da estimulação com acupuntura (Lin et al., 2016).

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Atividades de DMN interrompidas foram observadas em várias doenças, incluindo dor (Dhond et al., 2008; Kucyi et al., 2014; Alshelh et al., 2018), autismo (Kennedy e Courchesne, 2008), esquizofrenia (Bluhm et al., 2009), doença de Alzheimer (Sorg et al., 2007), depressão (Liston et al., 2014), transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (Norman et al., 2017), insônia (Yu et al., 2018), fadiga múltipla relacionada à esclerose (Jaeger et al., 2018) e transtorno de estresse pós-traumático (Sripada et al., 2012; Akiki et al., 2018). A dor lombar crônica está associada à menor conectividade no DMN, principalmente no córtex pré-frontal dorsolateral, CPFm, ACC e precuneus (Baliki et al., 2008 , 2014; Loggia et al., 2013; Ceko et al., 2015; Jiang et al., 2013, 2016; Alshelh et al., 2018). A acupuntura reverte essas mudanças quase aos níveis observados nos controles saudáveis, e as reduções na dor clínica estão correlacionadas com o aumento da conectividade com DMN (Li et al., 2014). Resultados semelhantes também são relatados em pacientes com ciatalgia crônica (Li et al., 2012). Em outro estudo sobre dor lombar aguda experimental (Shi et al., 2015), o estado de dor induz valores mais altos de homogeneidade regional no sistema límbico e no DMN, e a acupuntura proporciona ampla desativação no DMN, consistente com outras pesquisas, como descrito anteriormente. Além da dor, a acupuntura também foi avaliada em outros transtornos. Em pacientes com depressão, a acupuntura induz a ativação ampla do DMN posterior (Quah-Smith et al., 2013) e aumenta a conectividade funcional entre o PCC e o ACC bilateral (Deng et al., 2016). Em pacientes com AVC, foi observada uma interação inter-regional aumentada entre o ACC e o PCC, dois centros-chave do DMN, após a acupuntura (Zhang et al., 2014). Finalmente, a acupuntura atenua a conectividade DMN prejudicada observada em pacientes com doença de Alzheimer (Liang et al., 2014).

Se o DMN for geralmente afetado pela acupuntura, poderemos observar a modulação comum e específica do DMN por estimulação em diferentes pontos de acupuntura. Liu et al. realizaram eletroacupuntura em três pontos de acupuntura (VB37, B60 e R8) e observaram correlação consistentemente interrompida entre PCC e ACC, dois principais nós do DMN (Liu et al., 2009). No entanto, a estimulação desses três pontos produziu uma força de correlação diferente entre outros nós no DMN. Além disso, as regiões corticais visuais e o mPFC respondem especificamente à estimulação do VB37, enquanto o R8 está mais associado a mudanças de atividade na ínsula e no hipocampo (Liu et al., 2009). Esse padrão de modulação é consistente com a prática clínica de que o VB37 é um dos pontos importantes de acupuntura para doenças oculares, enquanto o R8 está relacionado a distúrbios ginecológicos, como a dor menstrual. Claunch et al. (2012) examinaram a especificidade e semelhança da resposta cerebral à acupuntura manual em IG4, E36 e F3, e encontraram grupos de desativação no mPFC, nos lobos medial parietal e temporal medial, mostrando uma convergência significativa de dois ou todos os três pontos de acupuntura. Para as diferenças, o IG4 predominou no cingulado pré-lingual e na formação do hipocampo, o E36 predominou no cingulado subgenual e o F3 predominou no hipocampo posterior e PCC. Similaridade e especificidade de respostas cerebrais para diferentes pontos de acupuntura, com regiões DMN como centros cruciais, também são relatadas por uma série de estudos sobre PC6, PC7 e VB37 (Bai et al., 2010; Ren et al., 2010; Feng et al., 2011).

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Uma estratégia de retradução para pesquisas futuras

Apesar dessas observações correlativas, falta evidência direta para validar causalmente o DMN como um substrato neural da acupuntura: a modulação do DMN pela acupuntura poderia refletir apenas as consequências indiretas de outros efeitos terapêuticos mais específicos, ou mesmo alguns subprodutos insignificantes da estimulação. A complexidade adicional decorre do fato de que as alterações do DMN na acupuntura podem ser diretamente direcionadas pela aferência somatossensorial da acupuntura (isto é, intensidade de estimulação ou sensação de qi) ou indiretamente causada por processos afetivos ou cognitivos relacionados ao efeito terapêutico. Deve-se ter cautela para diferenciar entre esses mecanismos usando a metodologia sham de acupuntura. De fato, permanece um tremendo desafio elucidar causalmente os mecanismos cerebrais da acupuntura. Na primeira instância, mecanismos de ambas as redes cerebrais fisiológicas e patológicas ainda estão sob investigação, antes de sobrepormos a estimulação da acupuntura acima deles. Por exemplo, a arquitetura molecular e celular do DMN está longe de ser clara, apesar da descoberta de redes semelhantes da DMN em animais de laboratório (Hayden et al., 2009; Popa et al., 2009; Northoff et al., 2010; Lu et al., 2012; Sforazzini et al., 2014) e alguns achados mecanísticos pilotos (Nair et al., 2018; Turchi et al., 2018; Yang et al., 2018). De fato, os mecanismos de acupuntura, dor e outros processos neurais não poderiam ser totalmente esclarecidos sem o entendimento desses substratos de rede, uma vez que a mesma região cerebral poderia participar de processos distintos através de diferentes microcircuitos (Zheng et al., 2017; Jiang et al., 2018). Além disso, a acupuntura pode exercer seus efeitos em vários níveis, desde locais de estimulação local até centros superiores no cérebro. Por exemplo, a adenosina liberada localmente em locais de acupuntura é suficiente para induzir analgesia (Goldman et al., 2010; Takano et al., 2012), em cujo caso mudanças na atividade cerebral podem refletir apenas respostas secundárias desse mecanismo periférico. No entanto, o ACC e outras regiões do cérebro têm um papel crucial em pelo menos algumas formas de analgesia induzida pela acupuntura (Yi et al., 2011). É um desafio diferenciar entre mecanismos cerebrais causais de estimulação de acupuntura e respostas secundárias de efeitos periféricos.

Apesar desses desafios, novas técnicas, especialmente aquelas voltadas para circuitos neurais, estão se tornando disponíveis para resolver o problema. Propomos uma estratégia retro-translacional envolvendo vários passos experimentais fundamentais para a verificação científica dos mecanismos cerebrais da acupuntura, incluindo o possível papel do DMN ou outras redes funcionais.

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Primeiro, a arquitetura das redes neuronais funcionais requer elucidação nos níveis neuronais e moleculares. Tomando o DMN como exemplo, o conceito de modo padrão se origina de estudos de neuroimagem baseados primariamente no metabolismo do oxigênio no sangue, que reflete apenas indiretamente as atividades neuronais. Os últimos anos testemunharam vários estudos intrigantes ligando os sinais dependentes de oxigênio no sangue a medidas eletrofisiológicas dos conjuntos neuronais, especialmente oscilações neuronais de alta frequência na banda gama (Niessing et al., 2005; Scholvinck et al., 2010). As principais regiões do cérebro no DMN reveladas a partir de estudos de neuroimagem em humanos podem ser confirmadas primeiro com in vivogravação eletrofisiológica multicanal em modelos animais de comportamento livre, aproveitando a avaliação precisa das interações inter-regionais e seus correlatos comportamentais (Li et al., 2017). Substratos neuronais e moleculares dessas redes poderiam ser examinados com técnicas farmacológicas e genéticas. Atenção especial pode se concentrar em moléculas associadas à atividade e ao metabolismo, como adenosina trifosfato, adenosina e neuroesteroides (Goldman et al., 2010; Zhang et al., 2016 , 2017).

Com as mesmas técnicas, as respostas cerebrais multidimensionais de vários paradigmas de acupuntura poderiam ser avaliadas tanto na rede neuronal quanto nos níveis de célula única. Esses estudos de “mapeamento” em animais complementariam estudos de neuroimagem em humanos e formariam a base para a verificação causal. Métodos computacionais, incluindo reconhecimento de padrões e aprendizado de máquina, mostrariam sua força na diferenciação de respostas cerebrais comuns e específicas entre vários paradigmas estimulantes e para isolar características eletrofisiológicas fundamentais.

Finalmente, e mais importante, técnicas intervencionistas como a optogenética e a quimiogenética (opto- and chemo-genetics) são necessárias para verificar causalmente os mecanismos moleculares e neuronais das redes funcionais, os efeitos de acupuntura sobrejacentes e a contribuição das diferentes dimensões das respostas cerebrais aos efeitos da acupuntura. O prosencéfalo basal tem sido sugerido como subjacente às atividades do tipo DMN em roedores (Nair et al., 2018; Turchi et al., 2018), mas evidências causais para essa hipótese ainda estão ausentes. Da mesma forma, a contribuição causal das alterações da atividade cerebral na acupuntura também está ausente. Essas técnicas finalmente demonstrariam a contribuição causal das mudanças na atividade do DMN para os efeitos da acupuntura.

Com esta estratégia, pode-se elucidar os mecanismos cerebrais da acupuntura em modelos animais. Este conhecimento poderia então ser usado para melhorar futuros estudos de acupuntura em humanos.


Doi : https://doi.org/10.3389/fnins.2019.00100

E ai o que acharam dessas evidencias?
Comentem, gostaria de saber a opinião de vocês.

Moxabustão – O tratamento pelo fogo

moxibustion4A moxabustão foi gradualmente criada após a descoberta e uso do fogo. No início, o homem primitivo descobriu que aquecer-se pelo fogo pode aliviar ou parar a dor fria de uma parte do corpo. Assim, eles vieram a saber como usar pedras quentes queimadas ou areia embrulhada em pele ou casca de animais para tratar doenças através da compressão quente local. Com base nisso, as pessoas gradualmente aperfeiçoaram a técnica, usando galhos ou feno inflamados para aquecer a parte doente do corpo. Esta é a moxabustão mais primitiva. Depois, as pessoas selecionaram folhas de moxa como material de moxabustão pela prática repetida. A ciência da acupuntura e moxabustão experimentou um curso ininterrupto de desenvolvimento. No período dos Reinos Combatentes (as dinastias chinesas), médicos antigos usavam amplamente a acupuntura e a moxabustão para tratar doenças.

De história milenar, originária do norte da China, moxabustão – 灸 – jiŭ (pinyin) significa, literalmente, “longo tempo de aplicação do fogo”, é uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão da erva Artemisia sinensis e Artemisia vulgaris.

É uma técnica terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa. Baseia-se nos mesmos princípios e conhecimento dos meridianos de energia trabalhados na acupuntura, sendo amplamente utilizada nos sistemas de medicina da China, Japão, Coreia, Vietnã, Tibete e Mongólia. Acredita-se que seja anterior a Acupuntura.

A palavra “moxa” vem do Japonês Mogusa (艾) (o u não é pronunciado com força). Yomogi (蓬) é outra palavra que designa esta técnica no Japão.
Em chinês é utilizado o mesmo ideograma (艾), que em chinês se pronuncia ài. Também é utilizado o termo àiróng (艾絨), que significa “veludo de ài”.
O ideograma chinês para moxabustão compõe metade da palavra chinesa zhēnjiǔ, ou japonesa “shinkyu” (針灸), que é geralmente traduzida como “acupuntura” no ocidente.

Separei um artigo sobre Moxabustão publicado por Ray Ford na revista WellBeing Magazine Article que fala muito bem sobre a moxa.Moxabustion2


Moxabustão por Ray Ford

Usar o calor para aliviar a dor e desconforto no corpo é um dos mais antigos tipos de tratamento inventados pela humanidade, e ainda é amplamente usado hoje em muitas formas diferentes de medicina.

A moxabustão, que envolve aquecer o corpo com uma erva ardente, é parte integrante da medicina chinesa. A acupuntura é conhecida na China como Zhen-Jiu (agulha moxa): este termo é uma indicação da estreita relação entre os dois métodos de tratamento.
O termo moxabustão é retirado da frase japonesa moe kusa, que significa erva ardente.

Na China, há evidências de técnicas precoces de cauterização, pedras aquecidas (pedras de Bian) foram aplicadas em combinação com procedimentos de agulhamento desde 10.000 anos atrás. Vários outros materiais foram usados ​​para aplicar calor, incluindo folhas secas, galhos, carvão e enxofre. As folhas secas da artemísia vulgaris (artemísia, absinto chinês) tornaram-se as mais populares por causa de sua proliferação generalizada na China e porque a queima produz um calor constante.

Pesquisas modernas sobre os efeitos da moxa, especialmente no Japão, mostram que o sistema imunológico pode ser significativamente aumentado pela terapia de moxabustão. Há alguma discussão sobre se apenas o aquecimento dos pontos de acupuntura aumenta o sistema imunológico, ou se a erva em chamas contém propriedades que estimulam os mecanismos de cura do corpo.

Embora existam muitas maneiras de usar moxabustão, na Austrália, o mais comumente usado é chamado de moxabustão indireta. Isso envolve o aquecimento de pontos de acupuntura ou áreas maiores do corpo com uma preparação de moxa, que às vezes é usada em combinação com a acupuntura. A preparação de moxa pode ser feita de folhas secas de Artemisia vulgaris em pequenos cones ou varas de moxa maiores ou, como é comum no Japão, moxa de madeira solta.Moxibustion0Os bastões Moxa são bem usados em clínica e são amplamente utilizados na Austrália. Uma vez aceso, o bastão queima lentamente a uma temperatura uniforme e é usado pelo Acupunturista para criar calor nos pontos do corpo, de acordo com a desordem a ser tratada. O paciente diz ao Acupunturista quando o calor está se tornando muito forte então o Acupunturista afasta o bastão do corpo por alguns segundos antes de voltar a aquecer a área novamente. Este processo pode ser repetido até que o efeito desejado seja obtido.

Quando o paciente se sente confortável com essa técnica, torna-se extremamente relaxante: muitas vezes, ele pode sentir calor no interior do corpo, mesmo que apenas um leve calor esteja sendo aplicado à pele. Alguns pacientes sentem um formigamento pelo corpo, ou um movimento significativo de energia dentro deles, e a maioria dos pacientes desfruta de uma sensação de calma e calor.

A estimulação dos pontos de acupuntura usando calor não cria apenas uma sensação de relaxamento, mas aumenta também o suprimento de sangue para uma área. Isso pode limpar os bloqueios dentro dos meridianos, expulsar as energias frias do corpo e promover um relaxamento mais profundo dos vasos e músculos, o que permite que os mecanismos naturais de cura do corpo floresçam.

Os Acupunturistas também podem usar a moxa de lã, que é enrolada em pedaços de tamanho muito pequeno, colocados em pontos de Acupuntura e depois acesos. Como ela queima muito rapidamente, o Acupunturista deve remover a moxa em chamas pouco antes de tocar a pele. O procedimento é repetido várias vezes. Essa técnica é muito eficaz na prática, porque a moxa é focada em um ponto específico e não em uma área geral. Pode estimular um ponto específico de acupuntura ou meridiano, ajudando a reequilibrar a energia, e é eficaz para ativar a energia bloqueada ou estagnada no corpo.Moxabustion1Uma caixa de moxa pode ser colocada no corpo (nas costas ou no abdômen) para tratamentos mais longos. Uma pequena caixa de madeira (15cm x 13cm x 9cm) com uma grade fixada no interior é colocada na área a ser tratada, e depois a lã ou bastões de moxa são acesos na grade. Uma tampa é então colocada no topo da caixa. A temperatura pode ser regulada abrindo ou fechando a tampa para permitir que menos ou mais oxigênio atinja a moxa em chamas. Este sistema é muito seguro e permite ao profissional colocar a caixa diretamente sobre agulhas de acupuntura e trabalhar em outras áreas ao mesmo tempo.

Moxabustion5Embora na medicina chinesa a moxabustão seja considerada um método yang, na medida em que trata problemas do tipo frio ou yin, ela também pode ser usada para tratar sintomas de calor. Às vezes, os pacientes têm muito yang ou calor na parte superior do corpo, e isso pode ser equilibrado com o uso da moxa nas extremidades, especialmente nas pernas e nos pés. Além disso, de acordo com a Acupuntura na teoria dos Cinco Elementos, que vê o corpo como um equilíbrio íntimo entre os elementos universais do fogo, terra, metal, água e madeira, pontos de água podem ser fortalecidos no corpo para ajudar a reduzir os sintomas de calor, como calor no fígado. A experiência e compreensão deste sistema permite que o profissional selecione este tipo de tratamento quando for apropriado.

Geralmente, se a pele já estiver inflamada, a moxabustão é contraindicada. No entanto, em alguns casos, a inflamação é reduzida pela moxabustão, como a sinusite, onde as membranas mucosas inflamadas causam dor e irritação. O aquecimento da moxa nesses casos produz um excelente alívio sintomático, enquanto a acupuntura ou as ervas podem tratar as causas mais profundas. A moxabustão combinada com a acupuntura é extremamente eficaz no alívio de certos tipos de dores relacionadas ao pescoço, costas, menstruação, digestão e artrite ou reumatismo. Essas queixas respondem ao tratamento com moxabustão e acupuntura porque a dor às vezes é resultado de um bloqueio e o uso repetido de moxa pode ajudar a eliminar esse bloqueio e aumentar a energia vital e o sangue para a área. Em alguns casos, o Acupunturista pode desejar acessar níveis mais profundos de energia para remover bloqueios em áreas como os grandes músculos da parte inferior das costas. Depois de inserir agulhas de acupuntura nos músculos, pedaços de moxa são colocados nas agulhas e acesos. Este procedimento ajuda a direcionar o calor para os músculos para aliviar os espasmos. Com tratamentos regulares, os músculos começam a se soltar e, à medida que a circulação normal retorna à área, a dor associada pode desaparecer.

Moxabustão também tem sido bem sucedida no alívio da asma, sinusite, alergias, menstruação irregular e/ou dolorosa, artrite, problemas digestivos e cansaço crônico. Um efeito incomum, mas bem documentado, que a moxabustão pode produzir, é corrigir a posição de um bebê no útero. Ao tratar um ponto de acesso no dedo do pé com a moxa, o bebê pode gradualmente virar para a posição correta de “cabeça baixa”, pronto para o nascimento.moxibustion5Embora a moxabustão seja uma técnica antiga, ainda hoje é muito relevante no tratamento de muitos distúrbios. Ao ajudar a criar uma profunda sensação de calma e relaxamento no corpo, a moxabustão revigora nossos mecanismos de cura, promovendo a boa saúde e o bem-estar geral.


Além desse artigo temos também um Guideline (linha guia) que foi publicada em 2006 por Debra Betts em O Guia essencial para Acupuntura na Gravidez e Parto (Essential guide to Acupuncture in Pregnancy and Childbirth), sobre moxabustão, o Guideline é como uma linha que direciona a forma de tratamento, como uma generalização, não que seja regra, mas como o próprio nome diz, um guia para usar a Moxa e como realizar tratamentos.


Guideline para o uso da Moxa

Terapia de Moxabustão

A Moxa é uma planta (Artemisia argyi Folium) que é usada como fonte de calor para estimular os pontos de acupuntura. Embora a acupuntura seja mais conhecida no Ocidente, a moxabustão também tem sido usada em tratamentos tradicionais há mais de 2000 anos na China e é na verdade a segunda parte do nome da acupuntura na língua chinesa (zhen jiu, literalmente “agulha moxa”).

A moxa mais comum usada como parte do tratamento é na forma de um bastão de moxa e foi comprimida em um rolo de charuto que a torna ideal para uso em casa. Antes de usar o moxa, você precisará preparar o seguinte:

  • Um isqueiro ou caixa de fósforo
  • Uma pequena placa de cerâmica ou vidro para colocar cinzas que possam formar-se no bastão de moxa durante o tratamento
  • Uma pequena toalha para colocar sob a área a ser tratada em caso de queda das cinzas
  • Um frasco com tampa de vidro para apagar moxa quando o tratamento estiver concluído, hoje se usa muito o “apagador de moxa”

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Como usar o bastão de moxa

Basta acender uma extremidade com um isqueiro ou fósforo. Quando o bastão estiver aceso corretamente, você poderá segurar a extremidade iluminada a dois ou três centímetros da parte de trás da sua mão e sentir um agradável calor irradiante. Segure a ponta acesa do bastão sobre a área a ser tratada, mantendo uma distância de pelo menos dois a três centímetros para que nunca haja contato direto com a pele.

O bastão de moxa é então movido lentamente sobre a área a ser tratada, isto começará a produzir um calor muito agradável.

  • Ao usar para virar no útero o bebê mal posicionado posteriormente, o tempo terapêutico para o uso de moxa é de 20 minutos em cada lado. Durante esse tempo, a moxa é rapidamente retirada do ponto Zhiyin B67 cada vez que fica quente antes de retomar o tratamento (a técnica de bicar)
  • Quando usado para tratar outros pontos de acupuntura, o bastão de moxa pode ser aplicado por cinco a sete minutos sobre cada ponto ou até que a área comece a ficar desconfortavelmente quente

Qualquer cinza que se forme na extremidade do bastão pode ser suavemente removida usando a borda do pequeno prato, de forma que o bastão de moxa permaneça quente. Se você suspeitar que não há mais calor saindo do bastão de moxa, verifique segurando a dois ou três centímetros de distância da parte de trás da sua mão. Reajuste se não houver um calor radiante.

Nunca toque na extremidade iluminada de um bastão de moxa, mesmo que ele não pareça mais estar brilhando.

Quando terminar o tratamento, coloque o bastão em um frasco de vidro com a tampa aparafusada firmemente ou coloque a extremidade acesa em um suporte de vela para que o bastão de moxa seja privado de oxigênio e assim não continue queimando.