Acupuntura para o Tratamento de Doenças Cardiovasculares: Uma Revisão Sistemática

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Um bom estudo de Pimentel et.al, da Universidade Federal do Rio de Janeiro publicado na Journal of Acupuncture and Meridian Studies, sobre a Acupuntura no tratamento das Doenças Cardiovasculares.

Só não coloco na categoria dos ótimos por ter excluído de sua base os artigos em idioma da terra mãe da Acupuntura (29 artigos), onde são realizados os estudos mais importante e coerentes (não sendo uma regra), e muito já falei sobre isso e até a dificuldade de incorporar a China, Japão ou Coreia nos estudos sobre Acupuntura. Nenhuma dificuldade no idioma justifica tal fato, até porque a qualidade do estudo se baseia nisso, deve se basear nisso, tudo o que sabemos de Acupuntura veio da China ou do Japão e exclui-los da base de dados é um erro inquestionável (desculpe a dureza).


Acupuncture for the Treatment of Cardiovascular Diseases: A Systematic Review

Introdução

A Organização Mundial de Saúde estima que 17,5 milhões de pessoas morreram de doenças cardiovasculares (DCV) em 2012, representando 31% de todas as mortes no mundo. A doença arterial coronariana (DAC) é a principal causa de morte, seguida por doença vascular cerebral. Juntos, ambos são responsáveis ​​por 7,4 e 6,7 milhões de mortes, respectivamente. O número global de mortes causadas por DCV aumentou 12,5% durante a última década; nas últimas duas décadas, a prevalência de DCVs tem sido particularmente alta em países de baixa e média renda, que respondem por 80% das mortes causadas por DCV. O custo anual estimado de intervenções para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares nesses países é pouco superior a US $ 8 bilhões. No Brasil, estima-se que aproximadamente US $ 3,2 bilhões foram gastos no setor de saúde com custos diretos para casos de DCV grave em 2004; Combinado com o custo indireto de aposentadorias e benefícios de incapacidade incorridos pelas CVDs, o efeito sobre a economia foi de cerca de US $ 12 bilhões.

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O cenário descrito acima favorece a aplicação de terapias inovadoras e de baixo custo, como a maioria das terapias alternativas e complementares, para tratamento e prevenção de DCV. Métodos de medicina tradicional, incluindo acupuntura, eletroacupuntura (EA) e estimulação de pontos de acupuntura elétrica transcutânea (TEAS), têm sido cada vez mais adotados por profissionais de saúde, apesar da falta de evidências sobre seus efeitos sobre DCV.

A acupuntura é um método terapêutico tradicional da Ásia Oriental, que remonta a mais de 2000 anos. Baseia-se na estimulação neural periférica pela introdução de agulhas em regiões específicas da superfície do corpo, chamadas pontos de acupuntura ou acupontos, com a intenção de promover mudanças orgânicas e funcionais para fins terapêuticos ou simples neuromodulação. A comunidade científica ocidental vem estudando a eficácia da acupuntura e seus mecanismos fisiológicos de ação no alívio da dor, revelando ser um poderoso modo de estimulação sensorial. Recentemente, o número de estudos publicados sobre os efeitos da acupuntura em um amplo espectro de patologias e etiologias, como infecção, inflamação, disfunção do sistema nervoso autônomo, periférico e central, distúrbios metabólicos e DCVs aumentou.

EA é um método de acupuntura em que os acupontos são estimulados por uma corrente elétrica pulsante aplicada através de agulhas metálicas de um dispositivo de eletroestimulação. Uma das principais vantagens do EA, do ponto de vista clínico ou de pesquisa, é sua capacidade de definir a intensidade de maneira objetiva e quantificável, alterando a amplitude da onda e a freqüência.

Estimulação de pontos de acupuntura elétrica transcutânea (TEAS) é outro método de acupuntura. Baseia-se na aplicação de uma corrente elétrica pulsante na superfície da pele, acima das regiões correspondentes aos acupontos, usando eletrodos. Estudos realizados com ratos demonstraram que a eficácia e os mecanismos da resposta analgésica induzida pelo TEAS são semelhantes aos induzidos pelo EA e pela acupuntura. Além disso, foi demonstrado que a estimulação eléctrica em um ponto de acupunctura com a utilização de eléctrodos pode atingir tecidos profundos e induzir os efeitos pretendidos, sem a necessidade de agulhas, deste modo, reduzindo intercorrências causadas por agulhas, tais como desconforto por perfuração , risco de futuras infecções e argiria localizada.

Atualmente, os efeitos da acupuntura, EA e TEAS para o tratamento de DCVs ainda são pouco conhecidos, e a maioria de seus mecanismos ainda não foram completamente elucidados. Assim, o objetivo do presente estudo foi revisar a literatura sobre os efeitos da acupuntura, EA e TEAS nas DCVs.

Métodos

Esta revisão sistemática seguiu as recomendações dos Itens de Relatórios Preferenciais para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises, bem como o tutorial para a escrita de revisões sistemáticas.

Realizamos buscas bibliográficas nas bases de dados PubMed, SciELO e PEDro, utilizando combinações concomitantes e alternadas dos seguintes descritores em inglês: “acupuntura”, “eletroestimulação” e “eletroacupuntura” com “hipertensão”, “doença cardiovascular”, “artéria coronária”. “E” coração “como Medical Subject Headings (MeSH, http: // http://www.nlm.nih.gov/mesh/meshhome.html); e os seguintes são os descritores portugueses: “acupuntura”, “eletroestimulação” e “eletroacupuntura” com “hipertensão”, “doenças cardiovasculares”, “doença coronariana” e “válvula cardíaca”. Dois revisores extraíram os dados independentemente. Ensaios clínicos publicados entre janeiro de 1997 e setembro de 2017, em inglês ou português, que forneceram o texto completo nas bases de dados mencionadas e indicaram resultados quanto à associação de uma das técnicas relevantes para tratamento e/ou prevenção de DCV, foram incluídos neste estudo. Revisões, estudos observacionais e experimentais usando modelos animais foram excluídos do estudo.

A qualidade metodológica dos estudos foi analisada com base no escore da escala Physiotherapy Evidence Database fornecida no banco de dados do PEDro (Tabela 1). Esta análise foi realizada de forma independente por dois avaliadores, e os desacordos foram resolvidos por discussão e consenso. Se um estudo selecionado não foi pontuado nesta base de dados, os autores o classificaram usando a versão da escala portuguesa (brasileira).

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TABELA 1: Escala da PEDro

Resultados

Foram selecionados 506 artigos, dos quais 120 foram excluídos com base na data de publicação, 316 foram excluídos por não serem ensaios clínicos, 37 foram excluídos por não estarem disponíveis em inglês ou português (29 em chinês, 2 em espanhol, 2 em alemão, 1 em russo, 1 em japonês, 1 em coreano e 1 em persa) e 16 foram excluídos por não associar diretamente uma das técnicas com pelo menos uma DCV. Finalmente, 17 estudos foram incluídos na presente revisão (fig. 1) e estão resumidos na Tabela 2.

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Diagrama de fluxo PRISMA. PRISMA, Preferred Reporting Items para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises.

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C = indivíduos do grupo controle; P = indivíduos no grupo placebo; T = indivíduos no grupo tratado; R = indivíduos no grupo de referência; LN = método de deixar a agulha; SPM = método de Sparrow Pecking (bicar de pardal).
Na análise da variabilidade da freqüência cardíaca, a HF tem uma grande correlação com a modulação parassimpática da freqüência cardíaca, enquanto a LF está relacionada à modulação simpática.

Discussão

Nos estudos analisados ​​nesta revisão, o acuponto mais utilizado entre as diferentes técnicas foi o acuponto PC6 (Neiguan) (10 estudos, 64,7%), seguido pelo acuponto E36 (6 estudos, 35,3%) e acupontos auriculares. (4 estudos, 23,5%). O uso simultâneo de acupontos PC6 e E36 também foi observado em cinco estudos clínicos para o tratamento da hipertensão. Anatomicamente, o coração é inervado pelos segmentos inferiores do nervo torácico e cervical superior, que também inervam a área somática ao redor do acuponto PC6. Além disso, o acuponto PC6 localiza-se na superfície do antebraço em região correspondente ao trajeto anatômico do nervo mediano, o que pode corroborar a relação entre o estímulo pontual e as alterações fisiológicas observadas no sistema cardiovascular.

Dentre as DCV, às quais as técnicas analisadas foram aplicadas clinicamente, a mais comum foi a hipertensão, totalizando 10 estudos. Destes, nove estavam relacionados à acupuntura e apenas um à EA, com 80% relatando resultados positivos na modulação da doença através da redução da pressão arterial (PA). Abdi et al realizaram um ensaio clínico randomizado duplo-cego controlado, no qual pacientes obesos e hipertensos (não recebendo terapia medicamentosa) foram submetidos à acupuntura auricular ou EA abdominal, em Tianshu (E25), Weidao (VB28), Zhongwan (VC12), Acupontos de Shuifen (VC9), Guanyuan (VC4) e Sanyinjiao (BP6), durante 6 semanas, mostrando uma diminuição mais expressiva na pressão arterial sistólica (PAS) e na pressão arterial diastólica (PAD) por EA abdominal em comparação à acupuntura auricular. Em um ensaio clínico randomizado, cego para avaliadores e para estatístico, conduzido por Liu et al, 15 pacientes hipertensos moderados primários foram submetidos à acupuntura nos pontos de acupuntura IG11, BP4, E36, F3 e PC6 duas vezes por semana durante 8 semanas; uma redução foi observada na PAD, mas não na PAS, apesar da melhora observada no tônus ​​parassimpático. Yin et al, em outro ensaio clínico duplo-cego randomizado controlado, submeteram 21 pacientes hipertensos ou pré-hipertensos por 8 semanas de tratamento com acupuntura em vários acupontos, incluindo E36 e PC6, observando uma diminuição da PAS e PAD ao final de 17 sessões de tratamento em comparação com o grupo de acupuntura sham. Curiosamente, em um estudo, cego para os participantes e para estatísticos, realizado por Li et al., 65 pacientes hipertensos moderados (não recebendo medicação anti-hipertensiva) foram tratados com EA em PC5, PC6, E36 e E37 uma vez por semana durante 8 semanas, evidenciando uma redução na PAS e PAD, acompanhada por uma redução significativa na norepinefrina plasmática e níveis de renina no final do seguimento, sugerindo uma modulação fisiológica pela EA. Severcan et al relataram um aumento na concentração plasmática de óxido nítrico (NO) com uma diminuição na PAS e PAD observada após 10 semanas de tratamento de pacientes hipertensos com acupuntura em EXTRA 3 (Yintang), R3, F3, BP9, IG4 Pontos de acupuntura, C7, E36 e BP6. O NO é um potente vasodilatador produzido nas células endoteliais vasculares pela conversão do aminoácido arginina em citrulina, pela ação enzimática da NO sintase e desempenha um papel anti-hipertensivo crítico na homeostase da PA. EA, também, inibe o estímulo simpático, regulando a expressão de NO sintase no sistema nervoso central. O efeito depressor da EA sobre a PA ocorre principalmente pela vasodilatação dos vasos mesentéricos causada pela inibição do tônus ​​simpático, responsável pela vasoconstrição.

Ao contrário dos estudos acima, Yeh et al, em um ensaio clínico randomizado, não observaram efeitos na PA e no equilíbrio simpático-vagal após 10 semanas de acupuntura auricular para o tratamento de pacientes com hipertensão primária. Além disso, Jiang, em um estudo controlado randomizado com 60 pacientes hipertensos, tratou o grupo de intervenção diariamente com acupuntura nos acupontos IG11 (Quchi), E40 (Fenglong) e F3 (Taichong) por 30 minutos, durante 6 dias, não observando diferenças na PA entre os grupos intervenção e controle após o seguimento. Isso pode ser explicado pelo fato de alguns pacientes serem, geralmente, de baixa resposta à acupuntura para redução da PA, evidenciando a necessidade de compreensão dos mecanismos envolvidos para uma prescrição mais precisa da acupuntura com esse objetivo.

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A DAC foi outra importante aplicação da acupuntura entre as DCVs, observada em cinco estudos. Zamotrinsky et al, em um estudo controlado randomizado, submeteram 10 pacientes com DAC com incapacidade de realizar qualquer atividade sem angina ou angina em repouso para AA auricular.

Após 10 procedimentos, o AE exerceu um efeito vagotônico/simpaticolítico com uma diminuição do limiar de angina, com os pacientes não mais desenvolvendo angina em repouso ou após uma carga física moderada. Além disso, a dependência do tratamento com vasodilatadores diminuiu consideravelmente. Além disso, a EA melhorou as proteínas induzidas pelo estresse, como a proteína de choque térmico (HSP70i), que participa na eliminação de proteínas danificadas ou defeituosas, inibindo diretamente a apoptose.

Curiosamente, Wang et al mostraram, em um estudo randomizado controlado com 60 pacientes, que 30 minutos de EA administrada no acuponto PC6 antes da cirurgia de troca valvar cardíaca leva à cardioproteção, evidenciada por níveis séricos pós-operatórios reduzidos de troponina I cardíaca, marcador crítico de lesão miocárdica, menor uso de drogas inotrópicas e menor tempo de permanência na unidade de terapia intensiva. A ação cardioprotetora da EA também foi estudada por Wang et al em um estudo randomizado controlado com 204 pacientes. A AE foi realizada 30 minutos nos pontos de acupuntura Antiguan (PC6) e Ximen (PC4) 1 a 2 horas antes da intervenção coronária percutânea, resultando em uma menor incidência de infarto agudo do miocárdio, melhora na função cardíaca e menos eventos adversos, como súbita morte, arritmias, insuficiência cardíaca, trombose aguda, enfarte do miocárdio e AVC após intervenção coronária percutânea. Ho et al estimularam o acuponto EXTRA-6 de 22 pacientes que tiveram DAC angiograficamente comprovada (> 50% de estenose de diâmetro) por 30 minutos, demonstrando que a acupuntura melhorou a função cardíaca nesses pacientes, mas não nos controles. Embora o anteriormente descrito, Kurono et al demonstraram que em pacientes com angina vasoespástica, a acupuntura no acuponto EXTRA-6 poderia ser deletéria, levando a vasoespasmo da artéria coronária.

Segundo Lomuscio et al, o tratamento com acupuntura nos acupontos PC6, C7 e B15 leva a benefícios semelhantes aos da amiodarona, um agente antiarrítmico que é o fármaco mais eficaz no mundo para o tratamento da fibrilação atrial, reduzindo a recorrência de fibrilação atrial após terapia de cardioversão elétrica. Eletroestimulação transcutânea para isquemia periférica do membro foi estudada por Yilmaz et al, a eletroestimulação do nervo peroneal produziu um aumento substancial na velocidade do sangue na artéria tibial anterior, associada a melhores desfechos clínicos, em termos de maior distância percorrida. Os dois últimos estudos não sugeriram nenhum mecanismo para os efeitos observados.

Em conclusão, esta revisão demonstra que a acupuntura pode ser uma alternativa viável como terapia complementar para DCV, particularmente para hipertensão e DAC. No entanto, a heterogeneidade dos estudos não permite uma padronização de sua aplicação para cada doença específica, tornando necessários novos estudos para que seu uso se torne realidade.


 

Diarreia – Tratamento com Acupuntura

O diagnóstico diferencial nos casos de diarreia aguda deve ter como enfoque cinco fatores principais: infecções, alergias alimentares, intoxicação alimentar, uso de medicações e apresentação inicial de diarreia crônica.

Diarreia aguda é a passagem de quantidade acima do normal de fezes amolecidas associada ao aumento do número de evacuações que durem menos de 14 dias (Organização Mundial de Gastroenterologia). Pode ser interpretada como um aumento na quantidade de água e eletrólitos nas fezes, levando à produção frequente de fezes malformadas. É esse comprometimento no equilíbrio entre reabsorção e secreção pela mucosa intestinal que leva à liquidificação das fezes. Dentre estas possíveis etiologias, especialmente em nosso meio, as causas infecciosas devem sempre vir à mente e constituir uma das primeiras opções na investigação diagnóstica. As infecções intestinais associadas a quadros diarreicos são a segunda causa de mortes de origem infecciosa em todo o mundo, com prevalência estimada de 3 a 5 bilhões de casos/ano. (Moraes, 2004)

Segundo a mais recente edição do livro-texto Sleisenger and Fordtran’s gastrointestinal and liver disease, o diagnóstico diferencial nos casos de diarreia aguda deve ter como enfoque cinco fatores principais: infecções, alergias alimentares, intoxicação alimentar, uso de medicações e apresentação inicial de diarreia crônica. (Moraes, 2004)

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Fatores de risco para diarreias

As gastroenterites apresentam grande gama de etiologias possíveis. No contexto das gastroenterites infecciosas, determinados comportamentos e/ou circunstâncias às quais os pacientes se expõem, bem como algumas comorbidades que apresentam, são considerados fatores de risco para a doença. São eles: viagem recente (especialmente para países em desenvolvimento — áreas tropicais); alimentos ou circunstâncias alimentares incomuns (frutos do mar, especialmente crus; refeições em restaurantes ou lanchonetes); homossexualidade, atividade sexual remunerada, uso de drogas intravenosas (pessoas em risco de infecção por HIV e de desenvolvimento de SIDA); uso recente de antibióticos. Convém ressaltar também que diversos dados epidemiológicos contribuem para o raciocínio diagnóstico. Tendo em vista a epidemiologia de cada caso, é possível identificar maior suspeição sobre determinados agentes etiológicos. As associações mais clássicas entre veículo de contaminação e patógeno estão dispostas no Quadro. (Moraes, 2004)

Quadro

Abordagem diagnóstica

Na abordagem do paciente com quadro de diarreia aguda, a anamnese e o exame físico são fundamentais. Não só pela contribuição para a suspeição quanto a determinados agentes etiológicos, mas também na orientação das próximas medidas diagnósticas a serem instituídas. A solicitação de exames laboratoriais não é custo-efetiva; assim, a maioria dos pacientes não necessita dos mesmos. A presença de pelo menos um dos “sinais de alarme” expostos a seguir justifica a solicitação de exames laboratoriais:

  1. Desidratação grave e/ou repercussões sistêmicas (taquicardia, hipotensão ortostática, redução da diurese, letargia).
  2. Idade maior ou igual a 70 anos.
  3. Diarreia por mais de três ou sete dias (apesar de adequadamente tratada).
  4. Sangue/muco nas fezes.
  5. Imunossupressão (por droga/HIV).
  6. Dor abdominal em paciente com mais de 50 anos.
  7. Temperatura axilar maior ou igual a 38,5°C.
  8. Mais de seis a 10 evacuações/dia.
  9. Diarreia do viajante (se cursar com disenteria).
  10. Diarreias nosocomiais e/ou institucionais.

Abordagem terapêutica

Na abordagem terapêutica, a principal medida a ser instituída é a terapia de reidratação. Independentemente de sua etiologia e forma de apresentação clínica, as medidas de suporte são fundamentais para o manejo adequado da doença. De acordo com orientação da OMS, a terapia de reidratação deve ser por via oral, sempre que possível. (Moraes, 2004)

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NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Fatores que causam a diarreia aguda

  1. Transtornos dos órgãos digestivos devido a empanturrar-se de alimentos e a invasão de frio-umidade exógenos.
  2. Invasão de umidade-calor do verão e outono.

A diarreia crônica ocorre devido a xu de yang do Baço e Rim, que afeta a função de transporte e transformação do Baço.

Diferenciação

Diarreia aguda

  1. Frio-umidade – Diarreia aquosa com dor abdominal e borborigmos, calafrios, que são aliviados com o calor moderado, sem sede, língua pálida, saburra branca, pulso profundo e lento.
  2. Umidade-calor – Diarreia com fezes amarelas, quentes e de odor fétido, acompanhada de dor abdominal, sensação de ardor anal, urina escassa e amarela intensa, língua com saburra amarela e pegajosa, pulso rápido e escorregadio. Estes sintomas são as vezes acompanhados de febre e sede.

Diarreia crônica

  1. Xu de yang do Baço – Fezes moles com resíduos de alimentos mal digeridos, distensão epigástrica e abdominal, anorexia, lassitude, língua com saburra pálida e fina, pulso filiforme e fraco.
  2. Xu de yang do Rim – Leve dor abdominal na madrugada, borborigmos e diarreia uma vez ou várias vezes ao dia, frio abdominal e nas extremidades inferiores, saburra pálida e pulso profundo e fraco.

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Tratamento

Os pontos shu e mu do Intestino Grosso são pontos principais para o tratamento. Para o tipo frio-umidade, é necessário aplicar a acupuntura com método de tonificação e dispersão simultaneamente e combinado com moxabustão (ou com moxabustão indireta com gengibre), para o tipo umidade-calor, usa-se acupuntura com o método dispersante. Em casos crônicos, acupuntura com o método tonificante combinado a moxabustão. A moxabustão pode ser o tratamento principal nos casos de xu de yang do Rim.

Exemplo de pontos

Tianshu (E 36), Dachangshu (B 25), Zusanli (E 36).
Frio-umidade – Zhongwan (Ren 12), Qihai (Ren 6).
Umidade-calor – Neiting (E 44), Yinlingquan (BP 9), Hegu (IG 4).
Xu de yang do Baço – Pishu (B 20), Zhangmen (F 13), Taibai (BP 3), Zhongwan (Ren 12).
Xu de yang do Rim – Shenshu (B 23), Mingmen (Du 4), Taixi (R 3), Guanyuan (Ren 4), Baihui (du 20).

Tianshu e Dachangshu, os pontos Mu e Shu do Intestino Grosso, são muito efetivos para regular a função de transporte do Intestino Grosso e controlar a diarreia. Zusanli é usado para fortalecer a função de transporte do Baço e Estomago. A aplicação de acupuntura e moxabustão no Zhongwan e Qihai servem para esquentar o Baço e o Estomago e dispersar o frio. Neiting, Yinlingquan e Hegu com o método dispersante podem eliminar a umidade-calor do Intestino Grosso. A aplicação de acupuntura e moxabustão em Pishu, Zhangmen e Taibai, nos pontos Shu, Mu e Yuan do Baço, junto com Zhongwan, o ponto Mu do Estomago, ativam o yang do baço, promovem a função de transporte e conter a diarreia. Shenshu, Mingmen e Taixi podem esquentar e ativar o yang do Rim. A aplicação de moxabustão no Baihui pode elevar o qi que desceu do Baço, fortalecer o qi e conter a diarreia.

Nota – A diarreia na Medicina Tradicional Chinesa inclui diarreia por dispepsia, por enterite aguda e crônica, por enfermidades parasitarias intestinal, por enfermidade do pâncreas, do fígado e das vias biliares, por transtornos endócrinos, por transtornos do metabolismo e diarreia neurogênica. É um sinal e sintoma e sua causa deve ser tratada.

Diferenciação das síndromes de acordo com a teoria dos meridianos

A diferenciação das síndromes de acordo com essa teoria significa diferenciar as enfermidades baseando-se na fisiologia dos canais e colaterais. Esta teoria tem uma grande influencia na elaboração do diagnóstico e tratamento clínico para a acupuntura e moxabustão.

Cada um dos canais tem seu trajeto específico, havendo ou não um fluxo livre de qi e xue pelo meridiano haverá o reflexo nas zonas onde passa o meridiano. Lembrando que os 12 canais regulares se conectam respectivamente com os órgãos zang-fu e pertencem a eles, qualquer desordem nos canais podem afetar aos órgãos correspondentes e essas desordens também podem refletir nos canais que eles correspondem. Logo, é possível saber qual canal/meridiano está sendo afetado depois de estudar a localização e as características dos sinais e sintomas.

A diferenciação das síndromes de acordo com essa teoria significa diferenciar as enfermidades baseando-se na fisiologia dos canais e colaterais. Esta teoria tem uma grande influencia na elaboração do diagnóstico e tratamento clínico para a acupuntura e moxabustão.

Cada um dos canais tem seu trajeto específico, havendo ou não um fluxo livre de qi e xue pelo meridiano haverá o reflexo nas zonas onde passa o meridiano. Lembrando que os 12 canais regulares se conectam respectivamente com os órgãos zangfu e pertencem a eles, qualquer desordem nos canais podem afetar aos órgãos correspondentes e essas desordens também podem refletir nos canais que eles correspondem. Logo, é possível saber qual canal/meridiano está sendo afetado depois de estudar a localização e as características dos sinais e sintomas.
As principais manifestações patológicas dos 12 canais regulares e os oito extraordinários é o que se caracteriza como o método de diagnóstico de acordo com a teoria dos meridianos.

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Manifestações patológicas dos doze canais regulares

Canal do Pulmão Taiyin da mão – Tosse, dispnéia, hemoptise, inflamação e dor de garganta, distensão e opressão no peito, dor na fossa supraclavicular, no ombro, costas e na borda anterior e parte média do braço.

Canal do Intestino Grosso Yangming da mão – Epistaxe, rinorreia aquosa, dor nos dentes, inflamação e dor de garganta, dor na nuca, na parte anterior do ombro e na borda anterior do braço, borborigmo, dor abdominal, diarreia e disenteria.

Canal do Estômago Yangming do pé – Borborigmo, distensão abdominal, edema, dor epigástrica, vômito, sensação de fome, epistaxe, desvio dos olhos e boca, inflamação e dor de garganta, dor no peito e abdome, e na borda lateral dos membros inferiores, febre, transtornos mentais.

Canal do Baço Taiyin do pé – Eructo, vômito, dor epigástrica, distensão abdominal, fezes moles, icterícia, corpo pesado e astenia, rigidez e dor na raiz da língua, inchaço e frio na parte anterior media da coxa e dos joelhos.

Canal do Coração Shaoyin da mão – Dor precordial, palpitação, dor no hipocondrio, insônia, suor noturno, secura na garganta, sede, dor na parte media do braço, calor nas palmas das mãos.

Canal do Intestino Delgado Taiyang da mão – Surdez, esclera amarela, dor de garganta, inchaço das bochechas, distensão e dor no ventre, urina frequente, dor na borda posterior e lateral do ombro e braço.

Canal da Bexiga Taiyang do pé – Retenção urinaria, enurese, transtorno mental, malária, dor nos olhos, lacrimejar ao receber vento, obstrução nasal, rinite, epistaxe, cefaleia, dor na nuca, nas costas, nádegas e na parte posterior dos membros inferiores.

Canal do Rim Shaoyin do pé – Enurese, urina frequente, ejaculação noturna (espermatorreia), impotência, menstruação irregular, asma, hemoptise, secura na língua, inflamação e dor de garganta, edema, lumbago, dor na coluna vertebral e na parte media da coxa, debilidade dos membros inferiores, calor nas plantas dos pés.

Canal Sanjiao Shaoyang da mão – Distensão abdominal, edema, enurese, disuria, surdez, tinnitus, dor no ângulo externo dos olhos, edema nas bochechas, inflamação e dor de garganta, dor na região retroauricular, no ombro e na parte lateral dos braços e cotovelos.

Canal da Vesícula Biliar Shaoyang do pé – Dor de cabeça, dor no ângulo externo dos olhos, dor na região mandibular, visão borrada, boca amarga, dor e inchaço na fossa supraclavicular, dor na região axilar, dor ao longo da parte lateral do peito, hipocondrio, coxa e membros inferiores.

Canal do Fígado Jueyin do pé – Lumbago, sensação de plenitude no peito, dor no ventre, hérnia, cefaleia no vértex, secura na garganta, enurese, disuria, transtorno mental.

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Manifestações patológicas dos oito canais extraordinários

Canal Du – Rigidez e dor na coluna vertebral, opistótonos, cefaleia.

Canal Ren – Leucorreia, menstruação irregular, hérnia, enurese, retenção urinaria, dor na região epigástrica e no ventre.

Canal Chong – Espasmo e dor no abdome.

Canal Dai – Dor abdominal, debilidade e dor na região lombar, leucorreia.

Canal Yangqiao – Epilepsia, insônia.

Canal Yinqiao – Hipersonia.

Canal Yangwei – Febre e calafrios.

Canal Yinwei – Cardialgia.

Diferenciação das síndromes de acordo com Zang-Fu (Metal)

Optei por dividir as síndromes zang–fu por etapa, agora vamos tratar dos órgãos do elemento Metal e assim por diante. Lembrando que em caso de dúvida e sugestões podem colocar nos comentários. Vamos dar um passeio pelas síndromes do Pulmão, que é a base do Metal e as síndromes do Intestino Grosso.

Diferenciar as enfermidades de acordo com a teoria zang–fu significa distinguir as enfermidades dos órgãos observando suas condições fisiológicas como base, porque cada um deles tem diferentes funções fisiológicas. Quando um órgão zang ou fu não funciona normalmente sua desordem funcional pode afetar a ele mesmo, mas também pode afetar ou ser afetado por outros órgãos.

Optei por dividir as síndromes zangfu por etapa, agora vamos tratar dos órgãos do elemento Metal e assim por diante. Lembrando que em caso de dúvida e sugestões podem colocar nos comentários. Vamos dar um passeio pelas síndromes do Pulmão, que é a base do Metal e as síndromes do Intestino Grosso.

Diferenciar as enfermidades de acordo com a teoria zangfu significa distinguir as enfermidades dos órgãos observando suas condições fisiológicas como base, porque cada um deles tem diferentes funções fisiológicas. Quando um órgão zang ou fu não funciona normalmente sua desordem funcional pode afetar a ele mesmo, mas também pode afetar ou ser afetado por outros órgãos.

Já falamos também sobre outros elementos:
Água
Fogo
Madeira
Terra

Pulmão

SÍNDROMES DO PULMÃO

Vento patógeno que invade o pulmão

Entre as manifestações que aparecem nessa síndrome, ocorrem pigarro na garganta e tosse ou febre e aversão ao frio. Se o vento for acompanhado de frio (vento-frio invadindo o pulmão), o calafrio piora com obstrução nasal, rinorreia aquosa, expectoração clara e branca, saburra branca e fina. Caso o vento seja acompanhada com calor (vento-calor invadindo o pulmão), a febre é notável, com dor, enrijecimento e inflamação da garganta, rinorreia purulenta, expectoração purulenta e com saburra amarela.

Etiologia e Patologia

O vento patógeno exógeno que invade o pulmão transforma sua função de dispersão e descida, afetando a respiração normal do pulmão produzindo tosse e obstrução nasal. O frio, como um fator yin patógeno, prejudica o yangqi. Devido a isso, quando o vento é acompanhado de frio, os calafrios são mais grave que a febre, produz rinorreia aquosa e expectoração branca. O calor, como um fator yang patógeno, consome os líquidos de yin. Em caso de vento acompanhado de calor, as febres são os principais sintomas com rinorreia e expectoração purulenta.

A mature gentleman coughing because of pulmonary disease

Fleuma-umidade no pulmão

Manifesta-se com tosse, respiração curta, expectoração diluída com espuma branca, expectoração abundante. É um ataque causado geralmente pelo frio. Língua com saburra branca ou as vezes pegajosa.

Etiologia e Patologia

Esta síndrome ocorre devido ao distúrbio da circulação normal dos líquidos corporais, cuja acumulação causa a formação de umidade-fleuma. Se a umidade-fleuma estiver estagnada no pulmão, bloqueia as passagens de qi e prejudica a função de dispersão e descida. Como consequência ocorrem os sintomas já mencionados.

Retenção de fleuma-calor no pulmão

Nesta síndrome temos manifestações de tosse, dispnéia ou respiração asmática, expectoração com esputo abundante e espesso, purulento e de cor amarelo-esverdeado. Pode ocorrer esputo com sangue e pus fétido. Pode apresentar aversão ao frio e febre, língua vermelha com saburra amarela e pulso rápido.

Etiologia e Patologia

Esta síndrome ocorre devido a invasão do vento-calor exógeno ou vento-frio exógeno que posteriormente se transforma em calor. O calor mesclado com fleuma no pulmão provoca o bloqueio das passagens de qi, lesionando a função de dispersão e descida do pulmão, causando assim tosse, dispnéia ou respiração asmática. O calor consome o líquido corporal causando expectoração purulenta. Quando a fleuma-calor bloqueia os vasos do pulmão podem aparecer uma estagnação do sangue, causando assim esputo fétido-purulento com sangue.

tosse

Insuficiência do yin do pulmão

Entre as manifestação clínicas dessa síndrome temos tosse seca sem esputo ou com esputo mucoso, escasso ou misturado com um pouco de sangue, febre vespertina, rubor malar, sensação de calor nas palmas das mãos e plantas dos pés, secura na boca, suor noturno, língua vermelha, pulso rápido e filiforme.

Etiologia e Patogenia

Ocorre em enfermidades crônicas do pulmão que esgotam o yin do pulmão e se traduz em insuficiência de líquidos corporais. Como no pulmão há falta de nutrição então aparece disfunção da função de dispersão e descida produzindo tosse seca, sem esputo, ou com esputo mucoso e escasso, secura da boca. Xu de yin causa calor endógeno, que consume líquidos corporais e lesiona os vasos, febre vespertina, rubor malar, sensação de calor nas palmas e plantas, sudorese noturna e esputos com sangue.

Intestino Grosso

SÍNDROMES DO INTESTINO GROSSO

 Umidade-calor no intestino grosso

Entre as manifestações que acontecem são febre, dor abdominal, fezes moles de cor escuro com odor fétido, aumento da frequência do peristaltismo intestinal ou fezes com mucosidade branca ou vermelha, ardor anal e tenesmo. A língua é vermelha com saburra amarela e pulso rápido e escorregadio.

Etiologia e Patologia

Esta síndrome é causada por comer demasiadamente alimentos crus e frios ou por alimentos industrializados ou pela invasão de calor de verão e umidade patógenos. A umidade-calor se acumula no intestino grosso e bloqueia as passagens de qi causando assim a disfunção de transporte e transformação, o que produz diarreia, dor abdominal com fezes fétidas e obscuras. A umidade-calor lesiona os vasos sanguíneos do intestino grosso, causando assim fezes com muco e com sangue. Se a umidade-calor desce, causa uma sensação de ardor anal e tenesmo.

Vomit

Estase do intestino grosso

Manifesta distensão abdominal, dor abdominal que não tolera a pressão, constipação, náusea e vômito, saburra branca e pegajosa, pulso profundo e forte.

Etiologia e Patologia

Esta síndrome é geralmente causada pela obstrução e disfunção do qi do intestino grosso provocados pela retenção de alimentos, parasitas ou estagnação de xue, causando assim constipação, distensão e dor no abdome. Náuseas e vômito são resultados de estase do intestino grosso que impede a descida de qi do estômago.

Estagnação de xu e calor no intestino grosso

Entre as manifestações temos dor fixa e aguda ou lancinante no ventre que não tolera pressão, constipação ou rápida diarreia, com febre e vômito, língua vermelha com saburra amarela e pegajosa.

Etiologia e Patologia

Esta síndrome acontece pela falta de adaptação do individuo as mudanças climáticas ou excesso de comida ou trabalho intenso, que causam estagnação de calor e xue e retardo de qi. O calor prejudica os vasos do intestino grosso provocando inflamação local ou abcessos, causa dor lancinante no ventre. Se o qi do estômago no desce aparece náuseas e vômitos.